A fragilidade do sistema Jurídico brasileiro e as brechas que alimentam a impunidade.

A Fragilidade da Justiça Brasileira.

Quando a lei, ao invés de proteger o cidadão, acaba favorecendo a reincidência criminal.

O debate sobre a eficácia do sistema jurídico brasileiro volta ao centro das discussões públicas sempre que um caso emblemático escancara aquilo que muitos cidadãos já percebem no dia a dia: a sensação de impunidade. Em meio a índices preocupantes de violência e reincidência criminal, cresce a percepção de que a legislação brasileira, embora extensa e detalhada, possui brechas que acabam sendo exploradas por criminosos habituais.

Um episódio resgatado pelo Régis Canal de Notícias ilustra de maneira contundente essa problemática. No vídeo que acompanha este artigo, um policial militar — cuja identidade da emissora e do profissional não pôde ser confirmada — relata, em entrevista, um momento de profunda indignação. Após realizar a prisão de um indivíduo sob sua custódia, ele recebeu orientação da central para soltá-lo. O motivo: o suspeito utilizava tornozeleira eletrônica e, segundo a comunicação recebida, uma alteração na legislação impediria a manutenção daquela prisão nas circunstâncias apresentadas.

A cena expõe não apenas a frustração de um agente da lei, mas também um debate mais amplo sobre os limites, contradições e fragilidades do sistema jurídico nacional.

A complexidade do sistema jurídico brasileiro.

O ordenamento jurídico brasileiro é considerado um dos mais complexos do mundo. Com base na Constituição Federal de 1988, o país estruturou um sistema garantista, que prioriza direitos fundamentais, ampla defesa e presunção de inocência. Esses princípios são pilares do Estado Democrático de Direito e não devem ser relativizados.

Entretanto, na prática, a aplicação da lei muitas vezes revela distorções. O excesso de recursos, a morosidade processual, a multiplicidade de interpretações e as constantes mudanças legislativas acabam criando um ambiente onde decisões judiciais podem variar amplamente, inclusive em casos semelhantes.

Para o cidadão comum, a consequência é uma percepção clara: quem trabalha, paga impostos e cumpre a lei sente-se vulnerável, enquanto criminosos reincidentes parecem encontrar caminhos legais para retornar rapidamente às ruas.

Tornozeleira eletrônica: solução ou paliativo?

A tornozeleira eletrônica foi implementada como uma alternativa ao encarceramento, especialmente em casos de menor potencial ofensivo ou em situações específicas como prisão domiciliar e medidas cautelares. Em tese, trata-se de um mecanismo moderno de monitoramento, que busca reduzir a superlotação carcerária e permitir maior controle estatal sobre indivíduos sob investigação ou condenação.

Contudo, o uso do dispositivo não impede automaticamente novas práticas criminosas. Casos de reincidência envolvendo monitorados eletronicamente são frequentemente noticiados, o que gera questionamentos sobre a eficácia do sistema.

No episódio relatado pelo policial no vídeo do Régis Canal de Notícias, o ponto central da indignação não foi apenas a existência da tornozeleira, mas a orientação para liberar o suspeito com base em interpretação legal que teria mudado os critérios de prisão naquela circunstância específica.

A frustração expressa pelo agente evidencia um conflito entre a atuação policial na linha de frente e as diretrizes jurídicas que limitam suas ações.

O impacto na segurança pública.

A segurança pública é um dos temas que mais preocupam a população brasileira. Segundo dados oficiais divulgados periodicamente por órgãos estaduais e federais, crimes como roubo, furto e homicídio ainda apresentam números expressivos em diversas regiões do país.

Quando um policial realiza uma prisão e, pouco depois, é obrigado a liberar o suspeito por questões processuais ou mudanças legais, a mensagem transmitida à sociedade pode ser ambígua. De um lado, há o respeito ao devido processo legal; de outro, há a sensação de que o sistema não consegue responder com firmeza à criminalidade.

Essa percepção é agravada quando se trata de indivíduos que já possuem histórico criminal. A reincidência se torna um elemento central no debate. Se alguém já responde por crimes anteriores e continua sendo flagrado em novas ocorrências, surge o questionamento: o sistema está realmente funcionando como instrumento de ressocialização?

Entre garantias individuais e proteção coletiva.

É importante destacar que o Brasil adota um modelo jurídico garantista, inspirado em princípios que visam evitar abusos de poder e prisões arbitrárias. A presunção de inocência e o direito à ampla defesa são conquistas civilizatórias que não podem ser ignoradas.

Entretanto, o equilíbrio entre direitos individuais e proteção coletiva é delicado. Quando a legislação é interpretada de forma excessivamente permissiva ou quando falhas processuais anulam medidas tomadas por agentes de segurança, a coletividade pode sentir que seus direitos à segurança e à tranquilidade estão sendo colocados em segundo plano.

O caso apresentado pelo Régis Canal de Notícias expõe justamente esse ponto de tensão. O policial, ao relatar sua indignação, expressa um sentimento compartilhado por muitos profissionais da segurança pública: a sensação de que seu trabalho perde efetividade diante de entraves legais.

A morosidade da Justiça e suas consequências.

Outro fator que contribui para a fragilidade percebida no sistema jurídico é a morosidade processual. Processos podem levar anos até uma decisão definitiva, especialmente quando há recursos sucessivos. Enquanto isso, réus podem responder em liberdade, dependendo das circunstâncias.

A lentidão não apenas sobrecarrega o Judiciário, mas também impacta diretamente vítimas e familiares, que aguardam por respostas e punições proporcionais aos crimes cometidos.

Além disso, a superlotação carcerária frequentemente é utilizada como argumento para concessão de medidas alternativas à prisão. Embora o problema estrutural do sistema prisional seja real e grave, ele não pode servir como justificativa permanente para decisões que fragilizem a confiança pública na Justiça.

A perspectiva do policial na linha de frente.

Policiais militares e civis atuam na linha de frente do combate ao crime. São eles que realizam abordagens, efetuam prisões e lidam diretamente com situações de risco. Quando recebem ordens para liberar indivíduos que acabaram de prender, especialmente em casos que consideram graves, a frustração é compreensível.

No vídeo resgatado pelo Régis Canal de Notícias, o policial demonstra indignação não apenas com a situação específica, mas com o que ela representa: a sensação de que mudanças legais podem estar criando obstáculos para a atuação policial efetiva.

Esse tipo de relato traz à tona a necessidade de maior integração entre Legislativo, Judiciário e forças de segurança, de modo que alterações na lei sejam amplamente debatidas e compreendidas por todos os atores envolvidos.

O papel do Legislativo e as constantes mudanças na lei.

O Congresso Nacional frequentemente promove alterações no Código Penal, no Código de Processo Penal e em legislações correlatas. Muitas dessas mudanças têm como objetivo modernizar o sistema ou adequá-lo a novas realidades sociais.

Entretanto, alterações mal interpretadas ou aplicadas de forma controversa podem gerar insegurança jurídica. Quando há dúvidas sobre a aplicação prática de uma nova regra, decisões divergentes podem surgir em diferentes regiões do país.

Essa instabilidade normativa pode contribuir para a percepção de que o sistema possui “brechas” que facilitam a atuação de criminosos experientes, especialmente aqueles que conhecem bem os mecanismos legais.

Caminhos possíveis para fortalecer o sistema.

A solução para a fragilidade percebida no sistema jurídico brasileiro não passa por medidas simplistas ou pela supressão de direitos fundamentais. O desafio está em encontrar um ponto de equilíbrio.

Entre as propostas frequentemente debatidas estão:

  1. Revisão criteriosa de dispositivos legais que impactam diretamente a reincidência;
  2. Maior clareza na redação de leis para evitar interpretações conflitantes;
  3. Investimento em tecnologia e inteligência policial;
  4. Reformas estruturais no sistema prisional;
  5. Agilidade processual com preservação das garantias constitucionais.

A discussão precisa ser técnica, transparente e baseada em dados concretos, e não apenas em percepções isoladas.

Conclusão: um debate que não pode ser ignorado.

O episódio resgatado pelo Régis Canal de Notícias é mais do que um momento de indignação individual. Ele simboliza uma inquietação presente em grande parte da sociedade brasileira: a necessidade de um sistema jurídico que seja, ao mesmo tempo, garantista e eficaz.

O Brasil enfrenta o desafio de proteger direitos fundamentais sem permitir que brechas legais sejam exploradas de forma sistemática por criminosos habituais. O fortalecimento das instituições, a melhoria na qualidade das leis e o diálogo entre os Poderes são passos essenciais para reconstruir a confiança da população na Justiça.

Enquanto isso não acontece de maneira plena, episódios como o relatado continuarão alimentando a sensação de fragilidade — e reforçando a urgência de um debate profundo e responsável sobre o futuro da segurança pública e do sistema jurídico no país.

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